Preconceito e renda no mercado de trabalho
Quando observamos os dados socioeconômicos brasileiros evidenciamos dois marcadores sociais: raça e gênero. Dentro marcador raça brancos recebem mais que os negros e no marcador gênero as mulheres são as de menores renda. Em uma escala ilustrativa temos: 1º homem branco; 2º mulher branca; 3º homem negro; 4º mulher negra como apresentado no gráfico 1.
Os marcadores apontam que há uma estrutura racista que Silvio Almeida (2018) chama de racismo institucional, caracterizado pela produção de desvantagens e privilégios a determinados grupos sociais em nossas instituições com base no marcador raça. Os trabalhos de baixa remuneração são destinados à população negra, o que revela o racismo no mercado de trabalho. Para compreendermos melhor o assunto Lívio Sansone (1996) produziu dois conceitos: 1) áreas moles: são os espaços que o negro/a não tem dificuldade de circulação e até são prestigiados por suas atuações: entretenimento, esporte, música e áreas afins; 2) áreas duras: onde a circulação do negro/a é restrita: trabalhos de boa remuneração, acesso à justiça e bens públicos etc.
Dependendo da área em que o sujeito estiver, o nível de aceitação e preconceito será maior ou menor assim como sua renda. Deste modo, os conceitos de Sansone provocam uma reflexão sobre escolaridade, renda familiar e os marcadores de raça e gênero. É sabido que quanto mais estudos melhor o salário e que são as famílias negras acabam retirando seus filhos da escola para colocá-los no mercado de trabalho, o que fortalece um ciclo vicioso que dificulta a permanência escolar e mantém as desigualdades de renda como ilustra o gráfico 2.
A retirada precoce da escola para o mercado de trabalho gera outro dado negativo, a presença negra diminui em cargos de melhor remuneração como evidenciado no gráfico 3 que considera o marcador raça e gênero. Na prática o gráfico evidencia três formas de racismo: 1) o racismo institucional com a não aceitação de negros/as em cargos de decisão ou de visibilidade; 2) o racismo intersubjetivo que leva os responsáveis pela promoção a não considerarem a capacidade dos negros/as para a função; 3) o racismo internalizado que induz aos negros/as a acreditarem em uma suposta incapacidade para o cargo.
Neste contexto percebe-se que quando um jovem negro/a sai da escola para o mercado de trabalho ele enfrenta dois problemas concomitantes: 1) a falta de acesso ao emprego; 2) quando consegue são empregos de baixa remuneração, demonstrando assim que o mercado de trabalho é para o negro/a uma área dura e é onde a maior parte dos estudantes das escolas públicas irão atuar. Segundo o IBGE/PNAD de 2017 cerca 8,3 milhões (67,7%) de desempregados eram pretos ou pardos, aqueles que não ingressam no mercado de trabalho formal acabam encontrando abrigo na informalidade o que alimenta ainda mais o ciclo vicioso que afasta o jovem da escola e mantém as desigualdades de renda no marcador de raça e gênero.
Bibliografia
FACCHINI, Allana; OLIVEIRA, Josiane. Educação, geração de renda e Afroempreendedorismo. In: FELIPE, Delton Aparecido. Educação para as relações étnico-raciais: estratégias para ensino de história e cultura afro-brasileira. 1. ed. Maringá: Mondrian Editora, 2019. v. 1. 146p.
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