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Caetana diz não: um quadrinho antirracista

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Imagem do Pixabay Em meados do século XIX, em uma fazenda de café situada no Vale do Paraíba, interior do Rio de Janeiro, ocorreu um episódio singular que revela muito sobre as tensões sociais e culturais da sociedade escravista brasileira. Trata-se da história de Caetana, uma jovem escravizada que ousou desafiar as imposições de seu proprietário ao recusar de forma enfática o casamento que lhe foi imposto. Embora a cerimônia tenha sido realizada sob a chancela da Igreja, Caetana afirmava sentir “repugnância pelo matrimônio” e jamais permitiu a consumação da união com o escravo Custódio. Sua resistência foi tão firme que Tolosa, senhor de ambos, acabou por intervir, buscando a anulação do matrimônio. O caso, considerado improvável e até curioso para os padrões da época, foi analisado com profundidade pela historiadora Sandra Lauderdale Graham em sua obra Caetana diz não – Histórias de mulheres da sociedade escravista brasileira (VELOSO, 2018, p. 13). Clique na imagem e acesse o livro: ...

Tambor, o senhor da alegria

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Tambor, o senhor da alegria por Luiz Antônio Simas Os mais velhos dizem que um dia, cansado da solidão do poder Zambiapungo, o Ser Supremo dos cultos angolo-congoleses Foi tomado pela tristeza e cogitou desistir da criação do mundo Os inquices, seus filhos, resolveram alegrá-lo para que a criação não fosse interrompida Katendê, o Senhor da medicina da floresta, macerou as folhas e preparou um banho para refrescar Zâmbi Zaratempo criou as estações do ano O calor do verão, os dias amenos do outono, o frio do inverno e as floradas da primavera Matamba, a dona do balé espantoso dos relâmpagos, foi a próxima a tentar alegrar o Pai maior Vunji trouxe as crianças, que começaram a dar cambalhotas e subir nas árvores Angorô inventou o arco-íris depois da chuvarada Gongobira coloriu os rios com peixes coloridos Dandalunda mostrou a força das cachoeiras Mutalambô caçou um pássaro gigante com a sua destreza de flecheiro Nkosi forjou ferramentas diversas Lembarenganga preparou um cortejo de pombas...

Para pensar acerca do racismo epistêmico

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  Para pensar acerca do racismo epistêmico Todo semestre, logo no primeiro dia do meu seminário, faço algumas perguntas à turma, para lhes oferecer uma noção de como o conhecimento e o poder racial se entrelaçam. Primeiro nós contamos quantas pessoas há na sala. Então, começo fazendo perguntas muito simples: O que foi a Conferência de Berlim em 1884-85? Quais países africanos foram colonizados pela Alemanha? Quantos anos durou a colonização alemã no continente africano? E concluo com perguntas mais específicas: Quem foi a Rainha Nzinga e que papel ela teve na luta contra a colonização européia? Quem escreveu Pele Negra, Máscaras Brancas? Quem foi May Ayim? Não surpreende que a maioria das/os estudantes brancas/os na sala é incapaz de responder às perguntas, enquanto estudantes negras/os respondem corretamente à maioria delas. De repente, aquelas/es usualmente silenciosas/os começam a falar, enquanto aquelas/es que sempre falam tornam-se silenciosos. Silenciosos não porque não co...