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O “Índio genérico”

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O “Índio genérico” Moema, 1866 de Victor Meirelles, óleo sobre tela 129 x 190, acervo do Museu de Arte de São Paulo (MASP). Quando falamos sobre os povos indígenas quase sempre lembramos da figura do “Índio Genérico”, aquele sem etnia e que vive na floresta, pena na cabeça e adornos de madeiras pelo corpo, cabelo negro e liso cortado em “formato de tigela”, olhos levemente puxados, pele cor de cobre e que vive praticamente nu, arco e flecha na mão e saia de palha. Lembramos dele no dia 19 de abril quando a escola faz alguma atividade referente a data. Esse índio genérico povoa nosso imaginário e percorre nossa educação. Ele é fruto do eurocentrismo, que se baseia nos europeus para interpretar o mundo e a realidade, e que faz do índio aquele que nada produz, avesso ao trabalho e que não respeita a propriedade privada. Quase sempre o índio é relacionado ao atraso social e econômico, é o selvagem que precisa ser civilizado pelo homem branco. Não por acaso, quando discutimos a questão da ...

Para pensar acerca do racismo epistêmico

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  Para pensar acerca do racismo epistêmico Todo semestre, logo no primeiro dia do meu seminário, faço algumas perguntas à turma, para lhes oferecer uma noção de como o conhecimento e o poder racial se entrelaçam. Primeiro nós contamos quantas pessoas há na sala. Então, começo fazendo perguntas muito simples: O que foi a Conferência de Berlim em 1884-85? Quais países africanos foram colonizados pela Alemanha? Quantos anos durou a colonização alemã no continente africano? E concluo com perguntas mais específicas: Quem foi a Rainha Nzinga e que papel ela teve na luta contra a colonização européia? Quem escreveu Pele Negra, Máscaras Brancas? Quem foi May Ayim? Não surpreende que a maioria das/os estudantes brancas/os na sala é incapaz de responder às perguntas, enquanto estudantes negras/os respondem corretamente à maioria delas. De repente, aquelas/es usualmente silenciosas/os começam a falar, enquanto aquelas/es que sempre falam tornam-se silenciosos. Silenciosos não porque não co...

O que ensinamos no Ensino Fundamental em História?

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  A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é o documento que orienta o desenvolvimento curricular nas escolas brasileiras, estabelecendo os conhecimentos, habilidades e competências que os estudantes devem adquirir em cada etapa da educação básica. No caso da disciplina de História, a BNCC organiza os conteúdos de forma progressiva, permitindo que os alunos construam uma compreensão ampla da humanidade e de suas transformações ao longo do tempo. No 6º ano , os estudantes são introduzidos à História Antiga, com destaque para as civilizações clássicas de Roma e Grécia. Nesse momento, também é possível estabelecer conexões com as sociedades indígenas americanas, promovendo a valorização das diferentes etnias e a comparação de hábitos e formas de vida. Já no 7º ano , o currículo amplia o olhar para as conexões entre Europa, América e África, abordando temas que vão do final do século XV até o final do século XVIII. São discutidos aspectos políticos, sociais, econômicos e culturais, o...