Caetana diz não: um quadrinho antirracista
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| Imagem do Pixabay |
Em meados do século XIX, em uma fazenda de café situada no Vale do Paraíba, interior do Rio de Janeiro, ocorreu um episódio singular que revela muito sobre as tensões sociais e culturais da sociedade escravista brasileira. Trata-se da história de Caetana, uma jovem escravizada que ousou desafiar as imposições de seu proprietário ao recusar de forma enfática o casamento que lhe foi imposto. Embora a cerimônia tenha sido realizada sob a chancela da Igreja, Caetana afirmava sentir “repugnância pelo matrimônio” e jamais permitiu a consumação da união com o escravo Custódio. Sua resistência foi tão firme que Tolosa, senhor de ambos, acabou por intervir, buscando a anulação do matrimônio. O caso, considerado improvável e até curioso para os padrões da época, foi analisado com profundidade pela historiadora Sandra Lauderdale Graham em sua obra Caetana diz não – Histórias de mulheres da sociedade escravista brasileira (VELOSO, 2018, p. 13).
Clique na imagem e acesse o livro: Caetana Diz Não Histórias de Mulheres Da Sociedade Escravista Brasileira
Esse episódio, aparentemente isolado, ganha relevância quando inserido no contexto das relações de poder, gênero e raça que estruturavam a sociedade escravista. A recusa de Caetana não foi apenas um ato pessoal, mas um gesto de resistência contra a lógica patriarcal e autoritária que permeava a vida das mulheres escravizadas. Sua atitude demonstra que, mesmo em condições de extrema opressão, havia espaço para contestação e afirmação de vontade própria. É nesse sentido que a dissertação de mestrado profissional em História, escrita por Roberta Marcelino Veloso, se torna fundamental: ao recuperar e reinterpretar a trajetória de Caetana, a autora oferece uma nova perspectiva sobre as formas de resistência feminina no Brasil oitocentista.
O trabalho de Veloso é estruturado em duas partes complementares. A primeira consiste em uma sólida argumentação teórica, na qual são discutidos conceitos relacionados à escravidão, gênero e etnicidade, além de reflexões sobre o papel da História no ensino contemporâneo. A segunda parte apresenta um material didático inovador, pensado para aplicação em sala de aula com estudantes do Ensino Médio. Esse material busca aproximar os jovens da realidade histórica por meio de uma linguagem acessível e envolvente.
Clique na imagem e acesse a dissertação: Imagens de uma escrava rebelde: quadrinhos, raça e gênero no Ensino de História (clique na imagem)
Mas afinal, o que compõe esse material pedagógico? Trata-se de uma história em quadrinhos que narra parte da vida de Caetana, destacando sua recusa ao casamento e sua postura de enfrentamento diante das imposições de seu senhor. A escolha do formato dos quadrinhos não é casual: ao utilizar uma linguagem visual e narrativa, a autora consegue despertar maior interesse nos estudantes, tornando o aprendizado mais dinâmico e significativo. Além da narrativa ilustrada, o material inclui textos explicativos, questões de interpretação e orientação detalhada para os professores, garantindo que o conteúdo seja trabalhado de forma crítica e contextualizada.
O uso desse recurso didático tem potencial para engajar os estudantes em discussões sobre as relações étnico-raciais e de gênero que marcaram a formação da sociedade brasileira. Ao conhecer a história de Caetana, os jovens podem refletir sobre os mecanismos de opressão presentes no passado e identificar suas permanências e transformações no presente. Mais do que isso, podem compreender que a resistência e a luta por autonomia sempre fizeram parte da trajetória das mulheres negras no Brasil.
Dica de leitura: Protagonismo negro e feminino está no gibi (clique na imagem)
Assim, a dissertação de Roberta Marcelino Veloso, intitulada Imagens de uma escrava rebelde: quadrinhos, raça e gênero no Ensino de História (Campinas-SP: [s.n.], 2018), não apenas resgata uma história pouco conhecida, mas também propõe novas formas de ensinar e aprender História. Ao unir rigor acadêmico e criatividade pedagógica, o trabalho contribui para uma educação mais crítica, inclusiva e sensível às questões sociais que ainda desafiam o país.
Acesse e baixe o material pedagógico presente na dissertação, pronto para ser usado em atividades com turmas do Ensino Médio.
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| Material pedagógico |


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