O afroempreendedorismo como elemento transformador da população negra



O afroempreendedorismo é um elemento transformador para a população negra promovendo renda, empoderamento e inclusão social. Embora o nome guarde semelhanças com empreendedorismo eles não são a mesma coisa. Para Shane Venkataraman (2000) empreendedorismo é um fenômeno social onde há o processo de descoberta, avaliação e exploração de oportunidades no mercado de trabalho. A palavra encarna os ideais de individualismo e competição, responsabilizando o indivíduo pelo sucesso ou fracasso e retirar a responsabilidade do Estado para com seus cidadãos.

Já o afroempreendedorismo vai além do empreender, ele se caracteriza quando a oportunidade de mercado está vinculada as questões raciais da população negra, grupo social que mais sofre com as desigualdades socioeconômica. O afroempreendedor/a busca constantemente posições de destaque e chefia no mercado empresarial e de empregos, se distanciando dos trabalhos de menor remuneração, além de direcionar suas atividades para produtos identificados com a história e cultura afro-brasileira.

Em um país onde a distribuição de renda está relacionada aos marcadores de raça e gênero, como apresentado no gráfico 1, o afroempreendedorismo é uma alternativa para ingresso no mercado de trabalho de negros/as, em especial para os estudantes de escolas públicas que ao terminarem os estudos precisam enfrentar o mercado de trabalho.


Além de ser uma nova visão acerca do mercado de trabalho o afroempreendedorismo também atua no combate ao racismo e o preconceito, já que insere no debate público discussões sobre o lugar do negro/a na economia ao mesmo tempo que interroga o conceito de meritocracia, tão defendido por uma parcela da sociedade.

Campanhas como Não me vejo, não compro, que incentiva o consumo consciente de produtos preocupados com a representatividade de negros/as, ou O que meu dinheiro está financiando, que instiga o indivíduo a se perguntar quais serviços os negros/as exercem na loja que compro antes de consumir um produto, são iniciativas que faz do afroempreendedorismo algo muito além do ato de empreender.

O afroempreendedorismo articula economia, raça e gênero e é fortalecido pela atuação de institutos como Odara; Black Bom; Think Etnus; Feira Preta; Afro Business, Diáspora Black, Black Money etc que agem para criar uma rede de conexões e negócios que atendam as especificidades da população negra. São empreendimento desenvolvidos por negros/as em diversos nichos de mercados e que procuram financiar outros empreendimentos de negros/as.

O afroempreendedorismo não se trata apenas de lucro e sim de questionar as estruturas socioeconômicas, busca de justiça social e inclusão. Debater o assunto com os estudantes do Ensino Médio é apresentar alternativas para o futuro que possam se concretizar em mudanças significativas em nossa sociedade. 

Bibliografia

FACCHINI, Allana; OLIVEIRA, Josiane. Educação, geração de renda e Afroempreendedorismo. In: FELIPE, Delton Aparecido. Educação para as relações étnico-raciais: estratégias para ensino de história e cultura afro-brasileira. 1. ed. Maringá: Mondrian Editora, 2019. v. 1. 146p.

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