O “Índio genérico”
O “Índio genérico”
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| Moema, 1866 de Victor Meirelles, óleo sobre tela 129 x 190, acervo do Museu de Arte de São Paulo (MASP). |
Quando falamos sobre os povos indígenas quase sempre lembramos da figura do “Índio Genérico”, aquele sem etnia e que vive na floresta, pena na cabeça e adornos de madeiras pelo corpo, cabelo negro e liso cortado em “formato de tigela”, olhos levemente puxados, pele cor de cobre e que vive praticamente nu, arco e flecha na mão e saia de palha. Lembramos dele no dia 19 de abril quando a escola faz alguma atividade referente a data.
Esse índio genérico povoa nosso imaginário e percorre nossa educação. Ele é fruto do eurocentrismo, que se baseia nos europeus para interpretar o mundo e a realidade, e que faz do índio aquele que nada produz, avesso ao trabalho e que não respeita a propriedade privada. Quase sempre o índio é relacionado ao atraso social e econômico, é o selvagem que precisa ser civilizado pelo homem branco. Não por acaso, quando discutimos a questão da terra no Brasil há sempre quem aponte as Terras Indígenas como um problema ao desenvolvimento do país.
É preciso superar essa visão eurocêntrica. O índio está presente em todo o território nacional atuando em áreas urbanas e rurais nas mais diversas profissões, e o fato de alguns indígenas abandonarem suas aldeias para se estabelecerem em outros ambientes não os tornam menos índios, tampouco faz com que abram mão de sua identidade ética. Eles não estão "congelados no tempo”.
Mas o que é Índio? Para o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro o “Índio é qualquer membro de uma Comunidade Indígena reconhecido por ela como tal”, e “Comunidade indígena é toda comunidade fundada em relações de parentesco ou vizinhança entre seus membros, que mantém laços histórico-culturais com as organizações sociais indígenas pré-colombianas”. Ser índio expressa uma identidade étnico-racial como plenos direitos políticos e valorizada pela sua cultura. É sinônimo de orgulho identitário associado a riqueza e a espiritualidade de vida.
Para os indígenas a ancestralidade de seu povo sustenta a identidade individual e coletiva. Esse é o marco fundamental na construção do sujeito e seu lugar no mundo, e são as manifestações culturais, isto é toda a forma de expressar cultura como a dança, a arte, vestimentas religião e fala, que fortalecem os laços com a memória e tradição.
Para os indígenas a ancestralidade é vivida junto à modernidade, e ter um celular de última geração não o impede de vestir trajes típicos e dançar para seus ancestrais. Preservar a cultura de seus antepassados não é sinônimo de atraso. Tradição e modernidade podem andar juntas em prol do desenvolvimento social e econômico, haja vista o caminho trilhado pelo Japão.
Atenção! O ensino de História e Cultura Indígena nas escolas públicas e privadas é obrigatório segundo a Lei nº 10.639 de 9 de janeiro de 2003.
Autor: Carlos Eduardo Rodrigues, 01/04/2022.

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