A abordagem histórico-investigativa e o ensino de História

 

A abordagem Histórico-Investigativa (HI) vem sendo construída ao longo das últimas duas décadas como uma alternativa pedagógica capaz de incentivar a motivação, o engajamento e a argumentação dos alunos em sala de aula. Seu diferencial está em promover competências relacionadas ao fazer científico, tornando os estudantes mais ativos e participativos no processo de aprendizagem e contextualizando os conhecimentos escolares. Essa metodologia se caracteriza pelo uso de atividades experimentais de cunho investigativo, pautadas em episódios históricos, centradas nos alunos e orientadas pelo professor. O objetivo é criar situações de ensino que estimulem a reflexão sobre conteúdos específicos da ciência e da história, além de desenvolver habilidades metacientíficas, práticas experimentais e argumentativas.

 

Saiba mais clicando no artigo: A abordagem histórico investigativa no ensino de Ciências de Renata F. M. Batista e Cibelle Celestino Silva.

 

Nesse contexto, o trabalho com fontes históricas assume papel fundamental. Como afirma José D’Assunção Barro, fonte histórica é tudo aquilo que, produzido pelos seres humanos ou marcado por sua ação, pode nos proporcionar acesso à compreensão do passado e de seus desdobramentos no presente. Textos, objetos, utensílios, modificações na paisagem ou registros culturais são marcas da história que permitem ao pesquisador reconstruir trajetórias e compreender sociedades. Assim, o uso de fontes em sala de aula possibilita que os estudantes se aproximem da prática historiográfica, desenvolvendo olhar crítico e investigativo.

 

Saiba mais clicando no artigo: Fontes históricas - uma introdução aos seus usos historiográficos de José D‟Assunção Barro.

 

A investigação científica aplicada ao ensino de História é um dos pilares da educação contemporânea, pois motiva os estudantes a serem protagonistas do processo de ensino. Descobrir e redescobrir, aprender com acertos e erros, trabalhar colaborativamente e levantar hipóteses são algumas das vantagens dessa prática. Um exemplo é a atividade de análise de fotografias sobre o Humanismo e o Renascimento, proposta para o 7º ano. Nela, os alunos interpretam imagens, levantam hipóteses e refletem sobre características culturais, religiosas e sociais do período moderno. A mediação docente é essencial para orientar a problematização e garantir que os estudantes relacionem os elementos visuais com conceitos históricos. Essa estratégia pode ser adaptada para outras temáticas, como o estudo da organização social no 6º ano ou o Brasil do século XIX no 8º ano.

 


 

A prática.

Atividade: Análises de fotografias sobre o Humanismo e o Renascimento.

Unidade temática: 7° ano - Humanismo, Renascimento e Novo Mundo.

Objetivo: Identificar, por meio da fotografia, as principais características do Humanismo e do Renascimento e analisar seus significados.

Habilidades: EF07HI04, EF07HI05

 

1° Momento

Professor, em um primeiro momento, apresente aos alunos algumas fotografias que representem o Humanismo e o Renascimento e peça para eles analisarem e interpretarem. Nessa etapa é importante que o professor estimule a participação de toda turma. A intenção é que os estudantes apresentem distintas interpretações sobre as fotografias, levantando hipóteses pautadas em elementos próprios das fotos a partir dos seus conhecimentos prévios.

 

2° Momento

Em um segundo momento, após levantamento de hipóteses e reflexões sobre os elementos presentes nas fotos, você, professor, poderá lançar mão de algumas questões que problematizem a natureza histórica e teórica-conceitual dessas fotografias, tais como:

Quais as principais características nas fotografias que representam o Humanismo? 

Quais as principais características nas fotografias que representam o Renascimento? 

Quais as relações das fotografias com as questões religiosas, culturais e sociais do período moderno?

Lembrando, professor, que para essa atividade investigativa a sua mediação se faz altamente necessária.

 

Fica a dica!

Essa estratégia didática pode ser aplicada em outras unidades temáticas, por exemplo, fotografias que ilustrem o trabalho e formas de organização social e cultural (6º ano – História) e, igualmente, o Brasil no século XIX (8° ano – História).

 


 

Por fim, cabe refletir sobre a importância de estudar História. Segundo o historiador João Paulo Pimenta, há três principais motivos: 1) por curiosidade e fascínio pelo conhecimento histórico; 2) pela necessidade de ferramentas para compreender objetos, temas e sociedades formadas historicamente; 3) e pela busca de entender os problemas do presente à luz do passado. Esses três caminhos, que transitam entre o amador e o profissional, revelam que a História é não apenas uma disciplina escolar, mas uma prática intelectual e social que nos ajuda a compreender quem somos e a projetar o futuro.

 

E você! Quer saber mais sobre o tema? Veja a edição do Café Filosófico.

https://youtu.be/-yWg_7d4bgw?si=nDQlREtpAA_2Ysb9






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