A Educação no neoliberalismo dos anos de 1990
A década de 1990 começa com o fim da URSS, o que marca o recuo do Estado e o avanço do setor privado na promoção da educação. No Brasil as privatizações são impostas pelos organismos internacionais como forma de “adaptação” a globalização o que gera uma política educacional controlada pelos interesses do mercado global.
Nesse contexto, a escola pública foi reformulada e ajustada para fornecer apenas o mínimo de instrução às classes trabalhadoras, deixando ao setor privado a educação de melhor qualidade fornecida aos filhos de classe média.
Essa política gerou um aumento nas matrículas das escolas públicas e novos programas governamentais para “ajustes educacionais”: cursos de formação continuada, EADs, reformas curriculares, programas de inclusão, etc..
O objetivo político era controlar os conflitos de classe e alcançar um consenso nacional através da manutenção e reprodução da democracia liberal da globalização.
![]() |
| Educação básica no Brasil na década de 1990: subordinação ativa e consentida à lógica do mercado |
A educação se transforma em ferramenta para harmonizar as perversidades do mercado minimizando as desigualdades sociais provocadas pelo neoliberalismo já que para os organismos internacionais as escolas são as culpadas pelos problemas sociais.
Em 1996 surgem os Parâmetros Curriculares Nacionais, um documento normativo para todo o território nacional com um texto alinhado ao capitalismo neoliberal.
Seu modelo de acumulação flexível dita às regras de consumo e do trabalho, ele é caracterizado pela intensificação comercial, tecnológica e organizacional e busca atender mercados sazonais com produtos de modificação contínua de cor e design para atrair os consumidores.
Aos trabalhadores são exigidas atualizações constantes nas áreas sociais e técnicas que possam garantir o sucesso das vendas, já os consumidores precisam ser ensinados desde criança a esse novo mundo do trabalho, consumo e naturalização das desigualdades.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais e o Relatório de Jacques Delors são essenciais para esse fim, para Delors a educação deve ser capaz de harmonizar as classes sociais, permitir o acesso ao consumo e formar pessoas para um trabalho flexível.
Já os Parâmetros Curriculares definem a escola como formadora da cidadania e do trabalho, que estimule a individualidade e forme consumidores não críticos dos problemas sociais.
Em resumo, a educação do século XXI privilegia as relações entre capital e trabalho e a formação de cidadãos que “sigam as regras do mercado” e naturalizam as desigualdades sociais, além de retirar do horizonte a possibilidade de revolução.
![]() |
| Educação: um tesouro a descobrir, relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI |
Referências
FAUSTINO, Rosangela Celia. Educação e diversidade cultural: o foco nas minorias étnicas. In: CARVALHO, E.J.G; FAUSTINO, R.C. Diversidade cultural: políticas e práticas educacionais. Maringá: Eduem, 2012.
GALUCH, Maria Terezinha Bellanda; SFORNI, Marta Sueli de Faria. Interfaces entre políticas educacionais, prática pedagógica e formação humana. In: CARVALHO, E.J.G; FAUSTINO, R.C. Diversidade cultural: políticas e práticas educacionais. Maringá: Eduem, 2012.
MENEZES, Maria Christine Berdusco. Diversidade cultural, práticas pedagógicas e educação escolar. In: In: CARVALHO, E.J.G; FAUSTINO, R.C. Diversidade cultural: políticas e práticas educacionais. Maringá: Eduem, 2012.



Comentários
Postar um comentário